sexta-feira, 15 de março de 2013

Gila

Imagem retirada da net

Um dos doces da minha infância que mais gostava era o de gila, da ‘Casa Mateus’. De tal forma que, mesmo na pastelaria, a minha escolha ia sempre para os bolos e folhados com gila. Era uma tentação…

No entanto, só há relativamente pouco tempo vi o fruto (fruto ou legume???) que lhe dá origem – a abóbora gila (gila ou chila???)!

Semântica à parte, sempre ouvi falar lá por casa da dificuldade que era cozinhar abóbora gila… Mas quando vi a minha primeira numa praça não resisti em comprar. Era linda e ficou linda durante um ano na minha cozinha, a olhar para mim, em eterno processo de enamoramento…

Estava ansiosa por abri-la e o acontecimento deu-se esta semana já que rebolou da banca e estatelou-se no chão! Felizmente não foi cedo demais e estava madura e a prova disso foi que 48 horas depois estávamos a comer um dos doces mais maravilhosos que tinha tido oportunidade de comer. Que nada tem a ver com o de compra, diga-se de passagem!!!! Claro está que tive a ajuda preciosíssima do meu Mário e da blogosfera que é unanime relativamente à forma como se deve proceder. E será para fazer diversas vezes, daqui para a frente… Nem que seja para ver o Mário, que diz que não gosta de gila, devorar um frasco inteiro.

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Doce de Gila


Ingredientes:

- uma gila (a minha tinha 2,8 kg)

- 500 gr de açúcar branco

- 250 gr de açúcar amarelo

- 200 ml de água

- vidrado de um limão (casca, só a parte amarela)

- 2 flores de anis

- 2 paus de canela


Preparação:

Honestamente não achei que fosse assim tão complicado de fazer doce de gila… A preparação, pode-se dizer que não é tão simples quanto descascar fruta e pôr num tacho, mas, com alguns truques, não é nada do outro mundo.

1. Deve fazer doce de uma abobora gila madura, isto é, se comprar hoje, deve abri-la daqui a um ano (a não ser que lhe digam que é já do ano passado). Este procedimento só vem facilitar o eliminar das tripas e da casca. Se utilizá-la, sem respeitar este ponto, consegue fazer doce na mesma, mas a tarefa será um pouco mais complicada.

2. Não utilize objetos de metal para abrir a gila, diz a tradição, que confere um sabor a peixe ao doce. O método passa por colocá-la dentro de um saco e atirá-la ao chão até abrir (o saco é só para evitar ter um rasto de gila pelo teto e paredes da cozinha). Aproveite para libertar más-energias…

3. No interior da gila vai encontrar a polpa, agarrada à casca, os caroços e uns filamentos amarelados (vulgarmente chamados tripas). Esses filamentos serão tanto mais amarelados quanto a gila estiver madura (daí o ponto 1). Se não estiver tão madura, as tripas serão facilmente confundidas com a polpa e se não forem retiradas poderão dar um sabor menos bom ao doce. Quanto mais madura, mais facilmente a casca se soltará da polpa, depois de cozida.

4. Depois da polpa cozida será mais simples separá-la da casca. Solte bem os filamentos e escorra bem antes de proceder como habitualmente quando faz doces e compotas, isto é, o mesmo peso de açúcar que o peso da gila escorrida (para compotas que tenciona guardar mais tempo) ou roubando um pouco na quantidade de açúcar (se for para consumir com brevidade).

5. Caso pretenda guardar alguma gila para utilizar no toucinho do céu ou no rançoso alentejano, isto é, doçaria que leve na sua composição gila, pode congelar a polpa para utilizar posteriormente. Caso opte por usar a gila em doce, roube um pouco no açúcar total a utilizar na receita do bolo/tarte.


Depois de aberta a gila e retirados os caroços e as tripas, lave muito bem em água corrente até que pare de libertar espuma. Coloque num alguidar de molho em água durante 24 horas.

No dia seguinte, coloque a gila numa panela ao lume cerca de 1 hora, em lume brando. Findo o tempo, elimine a casca exterior e deixe-a a escorrer cerca de 20 minutos, enquanto arrefece um pouco. Depois de fria, solte o mais que pode os fios da polpa e pese (a minha ficou com 810 gr). É nesta fase que deve decidir se quer utilizar toda a polpa no doce ou se pretende congelar parte.

Num tacho coloque ao lume a água, os açúcares, a casca de limão, a canela e o anis. Quando o açúcar atingir o ponto pérola (mais ou menos 10 minutos depois de estar ao lume) junte a gila em fios. Deixe cozinhar em lume brando até que esteja na consistência que deseja. O truque que utilizo é o seguinte: tiro uma colher de chá do líquido para um pires e deixo arrefecer uns 15 segundos e vou rodando o pires, se o líquido prender, está no ponto. Se verter facilmente, deixo apurar um pouco mais.

O meu doce demorou cerca de 45 minutos a atingir o ponto desejado.

Findo o tempo, verti o doce para frascos esterilizados que coloquei de cabeça para baixo para criar vácuo e facilitar o processo de conservação.

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8 comentários:

  1. Gila é óptimo no pão ou nos folhados! Adoro!
    A Casa Mateus, em Vila Real, continua a produzir, mas, de facto, não há nada como fazer em casa!

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  2. Que belo doce, e que belas dicas :)
    beijinhos e bom fim de semana

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  3. Olá,
    Uma vez a minha vizinha ofereceu-me uma abóbora desta e tb fiz o doce. Dá imenso trabalho mas o resultado compensa.
    Bom fim de semana, Susana

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  4. Obrigada pelos úteis ensinamentos. Vou segui-los, sem dúvida.
    Beijinho
    Maria

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  5. Ficou com uma cor muito bonita.
    Também já fiz e já se comeu :)é um doce um pouco trabalhoso, mas vale a pena.
    Bjns
    Isabel

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  6. Nunca fiz, mas gostei deste passo a passo...
    Beijinhos
    http://sudelicia.blogspot.pt/

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  7. Estou interessado comprar doce de gila em balde de 15 kg
    918794815

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  8. Olá! Adoro doce de gila(chila) mas, como vivo no norte da Europa, é coisa que não se encontra com facilidade no supermercado e, quando se vai a Portugal, traz-se um frasquito ou dois e prontos, acaba num instante. O ano passado, arranjei um pequeno jardim onde me perco e..... Semeei algumas semante de chila que uma amiga me mandou. Nasceram 4 aboboreiras que me deram 10 abóboras!!!! Não resisti à espera de um ano. De 3 delas já foi feito este doce divino e, saíu muitíssimo bem! Às outras, espera a mesma sorte com excepção de uma que vai para os sonhos de Natal! Obrigada pela receita!! ��
    Talvez guarde uma para testar essa teoria. 😉

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